segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Prático e versátil, treinamento suspenso conquista adeptos dentro e fora das academias
POR JORNALISMO PORTAL EF
Ideal para quem quer treinar fora da academia, acessório possibilita variados tipos de exercícios.
No final da década de 1990 surgiu um treinamento funcional que veio para revolucionar a vida de muito profissional de educação física: é o TRX®, treinamento suspenso que utiliza fitas que podem ser presas em qualquer local para realizar exercícios de força, flexibilidade, equilíbrio, estabilidade do core etc.
Desenvolvido por militares norte-americanos que precisam se exercitar em ambientes restritos, como o interior de um submarino, por exemplo, e aprimorado por uma empresa de fitness do mesmo país, o TRX® tem conquistado cada vez mais adeptos, principalmente entre os personal trainers, pois é muito fácil de ser carregado, tem baixo custo e, versátil, possibilita um treino completo até mesmo em ambientes como praia, praça, parques etc.
Treinamento suspenso melhora performance e resistência
Fisioterapeuta especializado em força e condicionamento, Pete Holman é o diretor de RIP Training da TRX® nos Estados Unidos e diz que embora o treino suspenso tenha sido desenvolvido por Randy Hetrick, militar de elite das forças armadas americanas para manter o condicionamento durante as missões, ele percebeu que os exercícios também podem ser usados para melhorar a saúde e o condicionamento de pessoas comuns ou até mesmo machucadas. “Da mesma forma, criei o Rip Training enquanto eu trabalhava com atletas de X-Games em Aspen para melhorar a força do core enquanto saltos e corridas de snow mobile, mas também percebi, como fisioterapeuta, que o treino funcional é uma ferramenta ótima para a reabilitação de joelho, ombro e costas. Assim, o TRX® é ótimo para todas as escalas de condicionamento, gente que tem como objetivo comum melhora a saúde e o físico como um todo, a performance e a resistência”, fala.
Treinamento suspenso tem contraindicação?
Marcio Fontana, personal trainer especializado em treinamento funcional, conta que não há contraindicação no treinamento de suspensão, exceto os casos típicos de pessoas com limitações físicas que não poderiam praticar outro tipo de atividade. Pessoas que procuram o treinamento funcional, que não gostam muito da tradicional musculação e adoram novidades se encontram entre aquelas que optam pelo TRX®.
“A maioria dos esportes inclusive usa o treinamento suspenso na preparação física. MMA, futebol americano, futebol; até as forças armadas - em especial nos Estados Unidos – usam muito porque é de fácil logística e pode treinar em qualquer lugar”, conta o personal trainer.
Thales Martins, master trainer do TRX no Brasil, conta que a técnica pode ser aplicada em qualquer esporte por justamente trabalhar todas as capacidades físicas. “Um atleta de tênis, além de ter músculos fortes e um bom condicionamento físico, precisa trabalhar movimentos durante uma partida”, explica, acrescentando que “para isso, o trabalho em suspensão é excelente porque fortalece a musculatura, trabalha rotações e utiliza o core o tempo todo”.
O diretor norte-americano cita ainda times de futebol como Liverpool e Manchester United, times de basquete como Miami Heat e L.A. Lakers e estrelas do UFC como Frankie Edgar e Brian Stann como praticantes do treino funcional suspenso. Dentre as celebridades que se renderam ao TRX® estão J.Lo, Bar Rafaeli, Juliana Paes, Paloma Bernardi, Janaina Jacobina e Deborah Secco.
A profissional de Educação Física Alessandra Dianin, professora da academia Bio Ritmo lembra que pessoas com problemas nos membros superiores podem ter alguma dificuldade para a realização dos movimentos, “mesmo assim, dependendo da lesão é possível fazer o exercício. Só não pode é esquecer de consultar um médico”.
Vantagens do treinamento suspenso
Alessandra conta que o treino suspenso permite liberdade na hora de escolher o local de treinamento, infindáveis combinações de exercícios, ajuda na motivação do aluno e o fato de poder ser um treino puxado - se o profissional souber montá-lo!
“Manter a mobilidade corporal e fazê-la bem é o objetivo número um desse tipo de treino funcional e uma vez que ele é alcançado, conseguimos expor o corpo a algumas melhorias saudáveis, como aumento da massa muscular, da força do core e da flexibilidade. Por usar apenas um ponto de ancoragem, o exercício traz estabilidade suficiente para treinar hipertrofia, mas instabilidade ideal também para desafiar o equilíbrio corporal e o desenvolvimento do core em todos os exercícios”, afirma Holman.
No TRX Rip Training, que é complementar ao treino suspenso, usa-se a “assimetria”, ou seja, assim que segura a fita de resistência, ela tenta rotacioná-lo de forma a mexer com o equilíbrio, o que força todos os músculos do corpo a trabalharem para garantir a postura e o equilíbrios corretos do corpo. “A rotação é comum nos movimentos do dia a dia, mas na academia costumamos fazer atividades no plano linear. Assim, um treino como esse melhora a capacidade de controlar as forças rotacionais para ajudar a estabilizar a coluna. São atividades físicas que tonificam e fortalecem os músculos do core, contribuindo para um físico atlético também”, cita Holman.
A empresa TRX® Training Brasil, que vende os equipamentos aqui no Brasil informa ainda que pessoas de todos os níveis de condicionamento – do sedentário ao atleta profissional que precisa de máximo desempenho – conseguem tirar proveito dos acessórios de treino suspenso. Além disso, eles pesam menos de 1 kg, o que facilita seu transporte para qualquer lugar, incluindo viagens.
Se ele se mostra vantajoso para os personal trainers, não deixa de ser atrativo também para as academias, já que pode ser usado em aulas em grupo, montando ciclos, exercícios no meio do treino, aulas exclusivas da modalidade etc. “Pode ser agregado dentro da musculação paralelamente aos treinos isolados compondo a série e também pode ser oferecido workouts curtos e express na musculação”, indica Thales.
Treino suspenso: intensidade controlada
O grande “segredo” do treino suspenso é o uso de tiras de náilon para criar resistência contra a gravidade. “Apesar de trabalhar alguns exercícios de isolamento muscular, que substituiriam a musculação, pelo fato de o aluno estar em suspensão acaba exigindo mais da musculatura estabilizadora, ou seja, do corpo inteiro. Também podemos tornar o treino mais ou menos intenso de acordo com a inclinação do corpo: quanto mais ereto, menos intenso e quanto mais paralelo ao chão, maior a intensidade e o gasto calórico do treinamento suspenso”, explica Fontana.
“Usamos o princípio do pêndulo. Se formos pensar como professores, é uma questão de física: calcular a inclinação e o nível de dificuldade. Por isso todo mundo pode fazer! Mexer com a velocidade de execução também pode facilitar ou dificultar o treinamento funcional”, conta Alessandra.
Mais comumente usado para a hipertrofia e resistência, os equipamentos de TRX® possibilitam a realização de centenas de exercícios desafiadores, o que acaba tornando a aula animada e instigante para o aluno. Além disso o treinamento de suspensão pode ser periodizado para o desenvolvimento constante do aluno dentro de um plano de treino e também pode ser usado na reabilitação já que a intensidade pode ser modificada: “na recuperação de uma cirurgia nas costas, por exemplo, os músculos estão fracos e não contraem na sequência correta para dar sustentação à coluna. O fato de trabalhar com tiras suspensas permite que consigamos assisti-lo no equilíbrio até que ele consiga tolerar movimentos lineares”, ensina o fisioterapeuta norte-americano.
A TRX Training informa, por meio de seu website, que o peso máximo recomendado para o uso do equipamento de treinamento funcional é de 158,75kg. Assim, recomenda-se cautela no uso em alunos obesos e, em caso de dúvidas, pode-se consultar a empresa para saber como proceder.
Profissional de Educação Física deve estudar sobre treinamento suspenso
Para poder trabalhar com treinamento suspenso é importante que o profissional de educação física busque aprender mais sobre o assunto. A TRX® Training Brasil oferece cursos de qualificação profissional que abordam a técnica, as posturas corretas, os riscos, a forma de ancoragem etc. A agenda e os valores podem ser encontrados diretamente no site da empresa. Holman conta que “os cursos aprofundam o conhecimento e a filosofia do treinamento suspenso, expandindo a seleção de exercícios e maximizando resultados”.
“O professor precisa conhecer bem os exercícios e treinar um pouco para sentir a diferença do treinamento. Não é melhor nem pior. Temos que usar todas as estratégias a nosso favor e isso vai depender do seu conhecimento e do objetivo do aluno”, complementa Alessandra.
“Por não conhecer como a ferramenta funciona, vejo muita gente cometendo erros por aí. Essa questão do corpo inclinado exige uma maior consciência corporal e tem gente que faz o exercício com a técnica errada, sem contrair a musculatura do core, deixando a coluna arquear excessivamente ou fazendo malabarismos desnecessários. Como exige muito da musculatura estabilizadora, se curvar o corpo de forma equivocada, com o tempo pode ser lesivo”, aponta Fontana. Holman concorda e lembra que constantemente vê pessoas flexionando, extendendo ou rotacionando a coluna durante os exercícios, sendo que a capacidade de mantê-la “neutra” ou na posição correta é essencial para desenvolver a força e manter a saúde desta parte tão delicada do corpo.
Sabendo usar, o treinamento funcional por suspensão pode ser usado inclusive com grupos, como circuitos, sendo que em cada etapa trabalha-se membro superior ou inferior, empurrar, puxar etc. “A maioria dos exercícios que você pode fazer em uma academia com máquina, pode fazer com o treino funcional. Consegue trabalhar o corpo inteiro só com as fitas”, diz Marcio Fontana.
Fonte: www.educacaofisica.com.br
Melhore na bike, na corrida e na piscina
O treinamento funcional se consolida no país e atrai atletas das mais diferentes modalidades, que buscam melhorar a técnica, ganhar rendimento e fugir das lesões.
Por Mylene Abud
Saem os aparelhos de musculação, entram exercícios com bola, bosu, elásticos, trampolins, espaldares. O treinamento funcional, que usa acessórios como esses, se consolidou de vez no país e é o novo queridinho de quem pratica esporte. Corredores, ciclistas, nadadores e até adeptos das artes marciais estão buscando o funcional para ganhar rendimento, melhorar as suas técnicas e fugir de lesões. O motivo? O “coração” desse treino é preparar o corpo para que ele trabalhe de forma mais inteligente, íntegra e segura, pois ele é inspirado nos movimentos do dia a dia e, no caso das diferentes modalidades, no próprio esporte.
Criado nos EUA na década de 1970, o treino funcional foca a funcionalidade e a qualidade do movimento. Por isso, envolve exercícios que aparentemente parecem até primários, como agachar e saltar, e outros que são realizados em superfícies instáveis, para que se ganhe mais flexibilidade, equilíbrio, agilidade e mobilidade. Tudo o que um atleta ou praticante de esporte precisa. Segundo Luciano D’Elia, precursor da modalidade no Brasil e sócio do Core 360º, a grande vantagem do funcional é considerar as demandas de movimento de cada esporte. Mais: ele também leva em conta as necessidades de cada pessoa, sendo quase que um programa personalizado. “O corpo é treinado de forma integrada e todas as capacidades físicas são estimuladas: força, equilíbrio, velocidade, flexibilidade, resistência e coordenação”, observa. Resumindo: a ideia não é apenas fortalecer a musculatura, mas fazer com que os músculos fiquem mais eficientes para realizar um determinado movimento. Com isso, claro, a técnica melhora e, com ela, o rendimento no esporte também.
Outro grande benefício do treino funcional é que, por centrar o foco no centro de força e de gravidade do corpo, o core, ajuda os esportistas a evitar lesões. Isso é feito por meio do uso de superfícies instáveis (como o bosu). Buscar o equilíbrio em uma plataforma instável trabalha os músculos estabilizadores, ou profundos, que ficam na região do tronco e do quadril. “Quando não funcionam como deveriam, os músculos que compõem o sistema estabilizador não protegem nossa coluna e as articulações mais importantes das sobrecargas impostas pelas atividades esportivas. Essa ‘fraqueza’ muscular leva a um desequilíbrio do aparelho locomotor e pode ter muitas consequências negativas, desde o prejuízo na performance até uma série de lesões importantes”, explica Allan Menache, diretor-técnico do Treinamento Inteligente e treinador do Core 360º.
Outro ponto positivo do funcional: ele trabalha a propriocepção, a capacidade de identificar e perceber os movimentos no espaço. Segundo o americano Owen Anderson, doutor em Fisiologia do Exercício e treinador de corredores do Quênia, fortes evidências indicam que o treinamento proprioceptivo pode melhorar a força dos atletas, a coordenação, o equilíbrio muscular e o tempo de reação. Além disso tudo, novos estudos vêm vinculando o trabalho proprioceptivo com um risco reduzido de lesões durante a atividade esportiva e ao aumento do desempenho atlético. Tá bom ou quer mais?
Você confere, nas próximas páginas, exercícios que farão com que melhore no asfalto, na bike e na piscina.
Um up na corrida...
Corrida, todo mundo já sabe, é uma atividade que não só gera um grande impacto – os pés chegam a suportar cerca de três vezes o peso do corpo – como é cíclica. Por isso, é fundamental fortalecer os músculos que protegem as articulações dos membros inferiores, do quadril e da coluna. “Na medida em que se fortalece o corpo de forma integrada, os movimentos são realizados com maior qualidade e há um melhor aproveitamento das forças de reação do solo e, consequentemente, maior economia de energia durante a corrida. O grande diferencial é a forma como tudo isso é organizado e aplicado a cada cliente”, explica Allan Menache, que sugere alguns exercícios (fotos ao lado) para melhorar as passadas dos corredores:
Afundo com elevação do joelho e tração lateral
Trabalha: os flexores e os extensores do quadril e do joelho.
Em pé, com os pés paralelos e de lado para o ponto de tração, afunde uma das pernas, elevando-a em seguida à frente, executando o movimento com boa estabilidade. Faça de 12 a 15 movimentos para cada lado.*
Passada lateral
Trabalha: os abdutores do quadril.
Em pé, com a faixa elástica nos tornozelos, mantenha um afastamento das pernas maior que a largura do quadril e os cotovelos a 90º. Execute uma passada lateral para um dos lados e retorne à posição inicial.
Inverta o lado. Faça de 10 a 12 movimentos para cada lado.*
...na piscina
Segundo Luciano D’Elia, para o nadador, é essencial haver uma força de estabilização a partir do tronco, que leva ao ajuste e melhor posicionamento dentro da água. Neste caso, o treino funcional trabalha o fortalecimento de estruturas articulares que estão submetidas a muitos movimentos repetitivos, como os ombros e o quadril, e estimula movimentos compensatórios para que as musculaturas antagonistas (que se opõem aos movimentos principais) possam ser fortalecidas, a fim de evitar lesões por overuse. Os exercícios a seguir, propostos por Allan Menache, trabalham a estabilização a partir do centro do corpo:
Flexão do tronco com apoio unipodal
Trabalha: a estabilização das articulações de tornozelo, joelho e quadril, enquanto realiza a flexão do tronco (reto abdominal e oblíquo externo).
Equilibrando-se em um dos pés, mantenha os braços estendidos acima da cabeça e empunhe o elástico com uma das mãos. Faça uma pequena flexão do tronco e do quadril, mantendo o equilíbrio e a estabilidade durante o movimento.
Faça 20 vezes para cada lado.*
Extensão dinâmica em decúbito ventral na bola
Trabalha: toda a cadeia muscular posterior desde o calcâneo, passando pelos músculos posteriores da perna e coxa, glúteos e musculaturas dorsais (gastrocnêmio, isquiotibiais, glúteos, multífidus, eretores profundos e superficiais etc.)
Deite-se em decúbito ventral sobre a bola. Inicie com as pernas, o quadril e o tronco flexionados, estendendo-os totalmente em seguida. Retorne à posição inicial. Repita o movimento de 12 a 15 vezes.*
...na bikeA postura sobre a bicicleta é um dos principais fatores limitantes para quem pratica essa modalidade. Segundo Luciano D’Elia, o fortalecimento da região do core (em especial, a cadeia posterior – músculos lombares e paravertebrais), a otimização da produção e a transferência de força são fundamentais para que o ciclista consiga praticar a modalidade sem entrar em fadiga e sem se machucar. “Com a região do core equilibrada e bem treinada, o atleta terá condição de gerar e transferir de forma otimizada a energia de cada pedalada para o próximo ciclo de movimento”, complementa Menache, sugerindo os seguintes exercícios:
Flexão alternada de quadril, em decúbito ventral, na fita de suspensão
Trabalha: flexores de quadril (íliopsoas, reto femoral, tensor de fascia lata, sartório, adutor curto e longo e pectíneo) e estabilizadores da coluna (transverso abdominal, oblíquo interno).
Em apoio de frente e com os pés fixos na fita, realize a flexão alternada do quadril, mantendo a estabilização do tronco. Faça de 20 a 30 movimentos.*
Flexão de joelhos na fita de suspensão
Trabalha: flexores do joelho (isquiotibiais, gastrocnêmio, plantar, sartório) e estabilizadores da coluna lombar e glúteo máximo.
Em decúbito dorsal, mantenha os calcanhares fixos na fita e deixe o quadril elevado. Faça flexões alternadas dos joelhos, sustentando o tronco. Realize de 20 a 30 movimentos.*
* Para os iniciantes, indica-se uma série de cada exercício. Já os mais experientes podem executar de duas a quatro séries, com intervalo de um a dois minutos entre elas.
Criado nos EUA na década de 1970, o treino funcional foca a funcionalidade e a qualidade do movimento. Por isso, envolve exercícios que aparentemente parecem até primários, como agachar e saltar, e outros que são realizados em superfícies instáveis, para que se ganhe mais flexibilidade, equilíbrio, agilidade e mobilidade. Tudo o que um atleta ou praticante de esporte precisa. Segundo Luciano D’Elia, precursor da modalidade no Brasil e sócio do Core 360º, a grande vantagem do funcional é considerar as demandas de movimento de cada esporte. Mais: ele também leva em conta as necessidades de cada pessoa, sendo quase que um programa personalizado. “O corpo é treinado de forma integrada e todas as capacidades físicas são estimuladas: força, equilíbrio, velocidade, flexibilidade, resistência e coordenação”, observa. Resumindo: a ideia não é apenas fortalecer a musculatura, mas fazer com que os músculos fiquem mais eficientes para realizar um determinado movimento. Com isso, claro, a técnica melhora e, com ela, o rendimento no esporte também.
Outro grande benefício do treino funcional é que, por centrar o foco no centro de força e de gravidade do corpo, o core, ajuda os esportistas a evitar lesões. Isso é feito por meio do uso de superfícies instáveis (como o bosu). Buscar o equilíbrio em uma plataforma instável trabalha os músculos estabilizadores, ou profundos, que ficam na região do tronco e do quadril. “Quando não funcionam como deveriam, os músculos que compõem o sistema estabilizador não protegem nossa coluna e as articulações mais importantes das sobrecargas impostas pelas atividades esportivas. Essa ‘fraqueza’ muscular leva a um desequilíbrio do aparelho locomotor e pode ter muitas consequências negativas, desde o prejuízo na performance até uma série de lesões importantes”, explica Allan Menache, diretor-técnico do Treinamento Inteligente e treinador do Core 360º.
Outro ponto positivo do funcional: ele trabalha a propriocepção, a capacidade de identificar e perceber os movimentos no espaço. Segundo o americano Owen Anderson, doutor em Fisiologia do Exercício e treinador de corredores do Quênia, fortes evidências indicam que o treinamento proprioceptivo pode melhorar a força dos atletas, a coordenação, o equilíbrio muscular e o tempo de reação. Além disso tudo, novos estudos vêm vinculando o trabalho proprioceptivo com um risco reduzido de lesões durante a atividade esportiva e ao aumento do desempenho atlético. Tá bom ou quer mais?
Você confere, nas próximas páginas, exercícios que farão com que melhore no asfalto, na bike e na piscina.
Um up na corrida...
Corrida, todo mundo já sabe, é uma atividade que não só gera um grande impacto – os pés chegam a suportar cerca de três vezes o peso do corpo – como é cíclica. Por isso, é fundamental fortalecer os músculos que protegem as articulações dos membros inferiores, do quadril e da coluna. “Na medida em que se fortalece o corpo de forma integrada, os movimentos são realizados com maior qualidade e há um melhor aproveitamento das forças de reação do solo e, consequentemente, maior economia de energia durante a corrida. O grande diferencial é a forma como tudo isso é organizado e aplicado a cada cliente”, explica Allan Menache, que sugere alguns exercícios (fotos ao lado) para melhorar as passadas dos corredores:
Afundo com elevação do joelho e tração lateral
Trabalha: os flexores e os extensores do quadril e do joelho.
Em pé, com os pés paralelos e de lado para o ponto de tração, afunde uma das pernas, elevando-a em seguida à frente, executando o movimento com boa estabilidade. Faça de 12 a 15 movimentos para cada lado.*
Passada lateral
Trabalha: os abdutores do quadril.
Em pé, com a faixa elástica nos tornozelos, mantenha um afastamento das pernas maior que a largura do quadril e os cotovelos a 90º. Execute uma passada lateral para um dos lados e retorne à posição inicial.
Inverta o lado. Faça de 10 a 12 movimentos para cada lado.*
...na piscina
Segundo Luciano D’Elia, para o nadador, é essencial haver uma força de estabilização a partir do tronco, que leva ao ajuste e melhor posicionamento dentro da água. Neste caso, o treino funcional trabalha o fortalecimento de estruturas articulares que estão submetidas a muitos movimentos repetitivos, como os ombros e o quadril, e estimula movimentos compensatórios para que as musculaturas antagonistas (que se opõem aos movimentos principais) possam ser fortalecidas, a fim de evitar lesões por overuse. Os exercícios a seguir, propostos por Allan Menache, trabalham a estabilização a partir do centro do corpo:
Flexão do tronco com apoio unipodal
Trabalha: a estabilização das articulações de tornozelo, joelho e quadril, enquanto realiza a flexão do tronco (reto abdominal e oblíquo externo).
Equilibrando-se em um dos pés, mantenha os braços estendidos acima da cabeça e empunhe o elástico com uma das mãos. Faça uma pequena flexão do tronco e do quadril, mantendo o equilíbrio e a estabilidade durante o movimento.
Faça 20 vezes para cada lado.*
Extensão dinâmica em decúbito ventral na bola
Trabalha: toda a cadeia muscular posterior desde o calcâneo, passando pelos músculos posteriores da perna e coxa, glúteos e musculaturas dorsais (gastrocnêmio, isquiotibiais, glúteos, multífidus, eretores profundos e superficiais etc.)
Deite-se em decúbito ventral sobre a bola. Inicie com as pernas, o quadril e o tronco flexionados, estendendo-os totalmente em seguida. Retorne à posição inicial. Repita o movimento de 12 a 15 vezes.*
...na bikeA postura sobre a bicicleta é um dos principais fatores limitantes para quem pratica essa modalidade. Segundo Luciano D’Elia, o fortalecimento da região do core (em especial, a cadeia posterior – músculos lombares e paravertebrais), a otimização da produção e a transferência de força são fundamentais para que o ciclista consiga praticar a modalidade sem entrar em fadiga e sem se machucar. “Com a região do core equilibrada e bem treinada, o atleta terá condição de gerar e transferir de forma otimizada a energia de cada pedalada para o próximo ciclo de movimento”, complementa Menache, sugerindo os seguintes exercícios:
Flexão alternada de quadril, em decúbito ventral, na fita de suspensão
Trabalha: flexores de quadril (íliopsoas, reto femoral, tensor de fascia lata, sartório, adutor curto e longo e pectíneo) e estabilizadores da coluna (transverso abdominal, oblíquo interno).
Em apoio de frente e com os pés fixos na fita, realize a flexão alternada do quadril, mantendo a estabilização do tronco. Faça de 20 a 30 movimentos.*
Flexão de joelhos na fita de suspensão
Trabalha: flexores do joelho (isquiotibiais, gastrocnêmio, plantar, sartório) e estabilizadores da coluna lombar e glúteo máximo.
Em decúbito dorsal, mantenha os calcanhares fixos na fita e deixe o quadril elevado. Faça flexões alternadas dos joelhos, sustentando o tronco. Realize de 20 a 30 movimentos.*
* Para os iniciantes, indica-se uma série de cada exercício. Já os mais experientes podem executar de duas a quatro séries, com intervalo de um a dois minutos entre elas.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Aula para ‘levantar o bumbum’ faz sucesso nos EUA e atrai modelos
Rainhas de bateria, musas, passistas, luxo e samba no pé. Quem acompanhou os desfiles de carnaval do Brasil se deparou com todos os tipos de bumbum. Alguns chamaram a atenção pela sua forma um tanto desproporcional. Outros, pela aparência escultural. Em Nova York, um mineiro se tornou o ícone das celebridades ao se especializar no que as brasileiras têm de melhor: o bumbum. Criador da aula brazil butt lift, Leandro Carvalho, de 43 anos, começou sua jornada há oito, quando foi chamado para treinar a modelo brasileira Alessandra Ambrósio, uma das angels da marca de lingeries americana Victoria´s Secret. De lá para cá, acumula mais de 20 DVDs, um programa de TV que passa em 90 canais pelo mundo todo e milhares de alunas que suam para levantar o derrière, sem deixá-lo exageradamente grande.
O QUE É O “BRAZIL BUTT LIFT”
O brazil butt lift, traduzido como “levantamento brasileiro de bumbum”, é um treinamento aeróbico e tonificador que dura 30 minutos e nasceu da necessidade de Leandro em ampliar seu conhecimento na parte favorita dos brasileiros. Até então, o personal trainer e bailarino dava aulas de dança em academias nos Estados Unidos.
- Sempre trabalhei com bumbum e entendia como fazer o músculo se alongar, mas nada específico. Com o treinamento da Alessandra, vi que precisava ampliar. Daí pensei: por que a brasileira tem um bumbum lindo? Porque desde criança ela dança muito e cada movimento é focado no quadril, com os joelhos dobrados. Quando você dobra o joelho e agacha, trabalha a perna e o bumbum. Tudo no Brasil gira em torno da dança. Festa sem música no país é ruim. Então peguei influências do balé, da capoeira, da dança afro, do kickboxe e do samba e criei uma aula divertida e dinâmica. Se for muito monótona, eu não dou conta, porque fica chato – disse o treinador, nascido em São João Del Rey (MG), em entrevista em seu estúdio, no bairro East Village.
SEGREDO DO TREINAMENTO
Apesar de ser o país com o maior número de beldades, Leandro diz que o Brasil, em geral, não sabe como trabalhar o bumbum.
- O que muda é trabalhá-lo em vários ângulos. O bumbum é dividido em glúteo máximo, médio e mínimo. Cada um tem três ou quatro ângulos, então você precisa trabalhar em torno de 12 ângulos para conseguir um treino eficaz de glúteos. O músculo que levanta o bumbum é o glúteo mínimo. O médio fica na região lateral da pelve e previne lesões. Já o máximo dá o bumbum arredondado, e o treinamento tem que ser sempre de joelho dobrado, como nos movimentos de capoeira, excelentes para essa parte do corpo.
Por serem divididos em três partes, os glúteos também necessitam de diferentes pesos para determinados exercícios.
- O mínimo é um músculo menor, então tem que usar menos peso. O máximo, por ser maior, pode usar mais quilos nas caneleiras. Por isso que eu tive tanto sucesso aqui e em outros países. Eu pego um bumbum quadrado como o das japonesas e mudo a forma dele só com exercícios específicos, às vezes em um mês. No Japão, eu sou um rei (risos).
AS ESTRELAS
Quando perguntado sobre as musas com as quais já trabalhou, Leandro fala naturalmente nomes que qualquer treinador gostaria de ter em seu currículo.
- Modelos do Brasil eu trabalhei com quase todas: Fernanda Motta, Alessandra Ambrósio, Ana Beatriz Barros, Raica Oliveira. Também trabalhei com a Blake Lively, atriz protagonista da série americana Gossip Girls. Ela é magra e tinha muita dificuldade de malhar, mas foi pegando o ritmo. Começou a treinar comigo por indicação da modelo Isabel Goulart, que é minha aluna, tem um corpo lindo e um bumbum maravilhoso. Mas quem me ajudou muito foram o cantor Sting e o ator Tom Hanks. Há cerca de 13 anos, a Julia, mulher do Sting, me contratou para dar aula para a filha deles, Nicky, que estava gordinha. Quando eu cheguei na casa deles, em Malibu (Califórnia), várias celebridades de Hollywood estavam lá. E desse meio eu nunca mais saí – afirmou Leandro, mantendo uma simplicidade característica de sua terra natal.
OS CORPOS MAIS BONITOS
O Brasil é eleito por Leandro Carvalho o país com as mulheres mais bonitas, pelos corpos praticamente perfeitos.
- A mulher brasileira é a mais bonita não só pelo corpo, mas por causa da sensualidade, ou seja, a maneira como ela carrega o corpo. Se tomar cuidado para não cair no vulgar, a brasileira consegue ter classe e sensualidade como ninguém. Para isso, nada de ter bumbum como das mulheres-fruta, porque isso não é chique – afirmou o mineiro, que mora há 19 anos em Nova York.
Quanto aos homens, Leandro dá um puxão de orelha nos brasileiros.
- Os homens do Brasil só conseguem ser bonitos até os 25 anos, depois o corpo despenca. Não sei o que acontece, a alimentação é muito ruim e acaba havendo muito álcool envolvido. Nos Estados Unidos, os homens são muito mais bonitos do que as mulheres. Venezuela, Itália e Israel têm homens e mulheres lindos igualmente, mas nada comparado com as brasileiras, claro.
DICAS
Adepto de alimentação natural, meditação e corpo livre de medicamentos, Leandro tem no acesso à informação a chave de uma vida saudável.
- Primeiro, a pessoa precisa buscar informação. Às vezes ela acha que está comendo certo, mas não está. O mais importante é a consistência nos treinos. Não adianta querer mudar do dia para a noite o corpo, nem fazer dietas malucas. Tem um estudo que diz que você demora de 45 a 90 dias para mudar um hábito. Por isso que muita gente não vê resultados se tenta por apenas um mês. Não pode perder o entusiasmo, porque a compensação vem. Basta ter paciência – disse o treinador brasileiro.
RELATOS
“Conheci o Leandro há 10 meses, pois sou sócia da academia onde ele dá aulas. Em dois meses, eu perdi 12kg. Hoje virei personal trainer e assistente dele, amo o que eu faço e ainda estou com o corpo em forma. A mistura de treino com dança é muito divertida e dá para notar a diferença no corpo muito rapidamente”. – Fernanda Stumph, 30 anos, brasileira, personal trainer e professora de yoga.
“Estou conseguindo manter o meu corpo em forma de maneira mais consistente e não tive nenhuma lesão nos últimos 10 meses. Sinto que estou forte o suficiente para fazer o que eu quero. Mudou a forma dos meus glúteos e pernas, mas para mim o mais importante é o fator saúde. A aula dele trouxe estabilidade para a minha coluna e, após ter feito três cirurgias e não sentir dor alguma, eu posso dizer que sou mais forte e feliz”. – Marisa Merliss, 30 anos, americana, dançarina e modelo.
“Treinar com o Leandro me fez perder muito peso e gordura. Minhas pernas definitivamente estão mais fortes e meu sistema cardiorrespiratório também”. – Elias Goodman, 21 anos, americano, personal trainer.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Exercício previne crescimento de gordura mais nociva pós-lipoaspiração
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A lipoaspiração tende a desencadear um mecanismo de reposição de gordura no organismo. Não no mesmo local de onde o tecido adiposo foi retirado, mas entre os órgãos. A gordura subcutânea retirada, portanto, dá lugar à gordura visceral, que é o tipo mais prejudicial à saúde. A pesquisadora Fabiana Braga Benatti, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, descobriu que a adoção de uma rotina de exercícios físicos após a cirurgia é capaz de prevenir esse mecanismo compensatório.
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| (Click na imagem para ampliar) |
Participaram do estudo 36 mulheres sedentárias de 20 a 35 anos que se submeteram à lipoaspiração abdominal. Dois meses após a cirurgia, as voluntárias se dividiram em dois grupos: metade passou a fazer exercícios três vezes por semana e a outra metade permaneceu sedentária. O programa de exercícios adotado pelas participantes do estudo - que consistia de alongamento, exercícios aeróbicos e de força, com duração que variava de 60 a 90 minutos - foi seguido durante 16 semanas.
"Observamos que, seis meses após a cirurgia, as mulheres que não treinaram não tiveram um retorno daquela gordura que foi retirada, que é a subcutânea. Porém, tiveram um crescimento compensatório de gordura visceral, o que não ocorreu com as mulheres que treinaram", diz Fabiana. De acordo com o estudo, esse crescimento compensatório é provocado pela queda do gasto energético total das pacientes sedentárias e não pelo aumento do consumo alimentar.
A quantidade de gordura subcutânea e visceral antes e depois da lipoaspiração foi medida por exames de tomografia computadorizada realizados no Hospital 9 de Julho, com quem os pesquisadores firmaram parceria. A gordura visceral é a responsável por aumentar os riscos de doenças cardiovasculares e também está associada com o surgimento do diabetes.
Compensação
Fabiana explica que esse processo de recuperação tende a acontecer porque a gordura não é inerte. "Quando se retira uma grande quantidade de gordura de repente, ela tende a se recuperar. O corpo luta contra essa perda", diz. Seu grupo de pesquisa já havia constatado esse mesmo processo em ratos.
O cirurgião plástico José Horácio Aboudib, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que o processo de recuperação da gordura após a lipo só ocorre se o paciente aumentar de peso. "Como as células adiposas foram retiradas do tecido adiposo subcutâneo, há uma tendência, se houver aumento de peso, de aumentar a gordura visceral. Se a paciente mantiver o peso, fica como estava após a cirurgia", diz.
Ele afirma que, além da prática de exercícios físicos, outro fator que contribui para melhores resultados da lipoaspiração é o paciente estar próximo de seu peso ideal antes do procedimento. "A lipoaspiração ideal tem o objetivo de tirar gordura localizada e não de emagrecer", diz Aboudib. Por isso, a cirurgia não deve ser recomendada para obesos ou para pessoas que não estão em boas condições de saúde.
O cirurgião plástico Alan Landecker, autor do livro Cirurgia Plástica: Manual do Paciente, acrescenta que a lipoaspiração deve ser cogitada somente em casos de pessoas que não conseguiram perder a gordura localizada por meio de alimentação adequada e prática de exercícios. "Após a cirurgia, se o paciente continuar comendo direito e aderir a um programa rígido de educação física, ele só tem benefícios e não é observada essa compensação", diz o médico.
Landecker observa que, na prática de exercícios pós-lipoaspiração, a musculação é muito importante porque promove o aumento do gasto de calorias. "Quanto mais massa magra no corpo, mais calorias você gasta." O fortalecimento dos músculos também é importante para manter a pele mais firme. "A pele tem ligações com a musculatura. Quanto mais forte, mais a pele vai ser puxada pelo músculo", diz. Os exercícios aeróbicos também são essenciais para a perda de peso e para promover a saúde. A prática começa a ser liberada após 15 dias da cirurgia, mas apenas para exercícios mais leves. Práticas mais intensas podem ser feitas, sob autorização médica, após um mês.
Para Fabiana, a mensagem principal do estudo é que os candidatos à lipoaspiração devem ter a consciência de que a gordura pode retornar depois da cirurgia, caso as recomendações médicas não sejam seguidas adequadamente. "E se, mesmo assim, optarem por se submeter à cirurgia, que entendam a enorme importância de fazer exercícios depois do procedimento" alerta a educadora física.
Popular
A lipoaspiração foi a cirurgia plástica mais realizada em 2011, de acordo com levantamento feito pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) em conjunto com a SBCP. Em 2011, 211.208 lipoaspirações foram realizadas no Brasil. No mesmo ano, foram 148.962 cirurgias de prótese de silicone nas mamas, que havia sido a mais realizada em 2007, ano do último levantamento. O mesmo estudo aponta que o número de cirurgias plásticas passou de 629.287, em 2008, para 905.124, em 2011, aumento de 43,8%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: http://noticias.uol.com.br
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
O atleta ocasional
*Texto retirado e adaptado do livro “Sua vida em movimento”
do Professor de Educação Física, Marcio Atalla.
Quem não tem o hábito de se exercitar e faz isso de vez enquanto, um sábado ou
domingo qualquer, acaba se sentindo cansado, exausto. A vontade de repetir a
dose nem sempre vem. Isso é normal. O corpo, habituado ao padrão sedentário
parece desconfortável e até agredido com o exercício. O organismo tende a
brigar contra a mudança de comportamento gerando mais fome, preguiça, cansaço e
até mau humor. Aos poucos, porém, o corpo vai aprendendo a receber o estímulo
do movimento e ocorre o contrário – o organismo passa a querer manter o nível
de atividade física, encontrando um novo equilíbrio, reorganizando as funções
hormonais, o ritmo do metabolismo, o nível de bem estar.
Ser um atleta de fim de semana pode ser perigoso. Muitos acidentes cardíacos acontecem no sábado de manhã, no primeiro pique atrás da bola de futebol. Fazer um pouco de exercício é melhor que não fazer nada, claro. Mas é preciso tomar certas precauções. Começar devagar e tirar o corpo da inércia aos poucos é primordial. Respeitar os limites e não exagerar é igualmente importante. Fazer horas de atividade física em apenas um dia pode provocar lesões, processos inflamatórios nas articulações, dores musculares, torções, ou complicações ainda maiores.
Eu jogo futebol com os amigos quase todo fim de semana, desde 2002. O esporte é mais um motivo para que a gente se encontre, coloque o papo em dia, mantenha o contato e a amizade. Há jogadores de todos os níveis, mais todo mundo se diverte e participa. Um deles, que aliás joga muito bem, só aparecia de vez enquanto e não fazia nenhum outro exercício físico durante a semana. Com o passar dos anos ganhou muito peso e começou a se machucar durante as partidas. Sentia dores pelo corpo, o que fazia faltar cada vez mais aos jogos, e seu nível técnico obviamente piorou, Com o estresse da semana de trabalho e o sedentarismo, sua saúde ficou comprometida: a taxa de colesterol aumentou, a pressão subiu e o risco cardíaco deu sinal de alerta.
Ele sempre me perguntava o que fazer, mas se justificava dizendo que não tinha tempo para nada. Quando se sentia melhor queria jogar umas três horas no sábado e mais três no domingo. Como resultado, ficava menos tempo com a família, o que gerava reclamações da mulher e dos filhos, e ainda passava o resto da semana com dores por todo o corpo. Um dia, ele me contou que se sentia frustrado. Estava cada vez mais gordo, com menos saúde e jogando mal. Resolvi lhe propor que reservasse apenas vinte minutos diários para fazer alguns exercícios, durante pelo menos três meses, e nos fins de semana jogasse as duas horas de futebol e levasse seu filho adolescente para assistir. O que eu queria mostrar para ele era que com apenas alguns minutos diários de uma forma bem programada é possível ganhar condicionamento físico e saúde.
O grande segredo da atividade física é a regularidade. Vale muito mais a pena fazer um pouco todos os dias que fazer muito em um dia só. Passado três meses, ele já tinha perdido seis quilos, conseguia jogar sem sentir dores, e levou o filho para jogar também. Dessa forma, ele passou a jogar três vezes por semana e anda se exercitar vinte minutos por dia, mantendo o corpo sempre em movimento.
Ser um atleta de fim de semana pode ser perigoso. Muitos acidentes cardíacos acontecem no sábado de manhã, no primeiro pique atrás da bola de futebol. Fazer um pouco de exercício é melhor que não fazer nada, claro. Mas é preciso tomar certas precauções. Começar devagar e tirar o corpo da inércia aos poucos é primordial. Respeitar os limites e não exagerar é igualmente importante. Fazer horas de atividade física em apenas um dia pode provocar lesões, processos inflamatórios nas articulações, dores musculares, torções, ou complicações ainda maiores.
Eu jogo futebol com os amigos quase todo fim de semana, desde 2002. O esporte é mais um motivo para que a gente se encontre, coloque o papo em dia, mantenha o contato e a amizade. Há jogadores de todos os níveis, mais todo mundo se diverte e participa. Um deles, que aliás joga muito bem, só aparecia de vez enquanto e não fazia nenhum outro exercício físico durante a semana. Com o passar dos anos ganhou muito peso e começou a se machucar durante as partidas. Sentia dores pelo corpo, o que fazia faltar cada vez mais aos jogos, e seu nível técnico obviamente piorou, Com o estresse da semana de trabalho e o sedentarismo, sua saúde ficou comprometida: a taxa de colesterol aumentou, a pressão subiu e o risco cardíaco deu sinal de alerta.
Ele sempre me perguntava o que fazer, mas se justificava dizendo que não tinha tempo para nada. Quando se sentia melhor queria jogar umas três horas no sábado e mais três no domingo. Como resultado, ficava menos tempo com a família, o que gerava reclamações da mulher e dos filhos, e ainda passava o resto da semana com dores por todo o corpo. Um dia, ele me contou que se sentia frustrado. Estava cada vez mais gordo, com menos saúde e jogando mal. Resolvi lhe propor que reservasse apenas vinte minutos diários para fazer alguns exercícios, durante pelo menos três meses, e nos fins de semana jogasse as duas horas de futebol e levasse seu filho adolescente para assistir. O que eu queria mostrar para ele era que com apenas alguns minutos diários de uma forma bem programada é possível ganhar condicionamento físico e saúde.
O grande segredo da atividade física é a regularidade. Vale muito mais a pena fazer um pouco todos os dias que fazer muito em um dia só. Passado três meses, ele já tinha perdido seis quilos, conseguia jogar sem sentir dores, e levou o filho para jogar também. Dessa forma, ele passou a jogar três vezes por semana e anda se exercitar vinte minutos por dia, mantendo o corpo sempre em movimento.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados, segundo INCA
Instituição derruba dois grandes mitos sobre a doença e estimula a prevenção
Consequência de uma população que não só está vivendo mais, mas que também passou a adotar hábitos de vida cada vez menos saudáveis, o aumento do número de casos de câncer tem assustado as principais autoridades da área da saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atingiu 7,4 milhões de pessoas em 2004 e, se nenhuma atitude for tomada, outras 11 milhões terão de enfrentar o problema até 2030.
Por conta disso, a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) instituiu o dia 4 de fevereiro como o Dia Mundial do Câncer. A iniciativa tem por objetivo evitar milhões de mortes que acontecem todos os anos pela doença, sendo que muitas delas são evitáveis. Entre os tipos de câncer mais incidentes estimados para 2013 pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar da Silva (INCA) estão o câncer de próstata, com cerca de 60 mil novos casos, o câncer de mama, com cerca de 50 novos casos, e o câncer de colo do útero, com mais de 17 mil novos casos. No total, são esperados 520 mil novos casos de câncer no Brasil.
Para ajudar a população a se prevenir, o INCA ainda está promovendo uma ação para derrubar alguns dos principais mitos sobre o câncer. Confira quais são eles:
Mito 1: ter câncer é uma questão de destino
Com as estratégias certas, cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados.
Mito 2: o câncer é apenas um problema de saúde
Na verdade, o câncer possui implicações de grande alcance social, econômico e de direitos humanos. Aproximadamente 47% dos casos de câncer e 55% das mortes pela doença ocorrem em regiões menos desenvolvidas do mundo.
Para ajudar na prevenção, listamos algumas medidas para evitar vários tipos de câncer. Adote essas estratégias e viva mais e com maior qualidade de vida:
1. Não fume
Segundo estatísticas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo é
a principal causa de câncer evitável no mundo. Ao queimar o cigarro, as
consequências são sentidas não apenas por quem fuma, mas também por todos ao
seu redor. Para se ter uma ideia, 90% dos casos de câncer de pulmão tem o
cigarro como responsável - os outros 10% são decorrentes do fumo passivo. O
tabagismo também é o grande culpado por 30% da ocorrência de outros tipos de
câncer, como boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim,
bexiga, colo de útero e leucemia.
O cigarro carrega cerca de 4720 substâncias, sendo mais de 400 delas altamente
cancerígenas. Algumas delas, como o benzeno, estão ligada ao câncer de fígado e
leucemia. Já o alcatrão está diretamente relacionado aos cânceres de pulmão,
vias aéreas, brônquios e bexiga. Veja aqui como as substâncias do cigarro afetam o organismo.
2. Não abuse de bebidas alcoólicas
"O álcool aumenta a chance de desenvolvimento de alguns tumores, como
intestino, esôfago e fígado. Mas o que mais se nota é que ele potencializa os
efeitos do tabaco", justifica o oncologista Gilberto de Castro Jr., do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Ele explica que, por
potencializar os efeitos do cigarro, o risco de um tumor localizado nos órgãos
afetados pelo fumo é muito maior.
Além disso, estudos científicos têm relacionado o abuso do álcool com outros
tipos de câncer. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o
Câncer, a quantia de 18 gramas (aproximadamente duas doses) de álcool por dia
eram suficientes para aumentar significantemente o risco de desenvolver câncer de mama. Com o consumo de 50 gramas diárias, o risco
aumenta em 50%. Outro estudo, este realizado pelo Fred Hutchinson Cancer
Research Center, especializado em pesquisas sobre câncer nos Estados Unidos,
descobriu que as mesmas 50 gramas por dia, em homens, dobram as chances de
desenvolver câncer de próstata.
3. Mantenha hábitos de sexo seguro. Use camisinha.
Hoje, sabe-se que o papiloma vírus humano (HPV) - doença sexualmente
transmissível - é o principal responsável por alguns tipos de câncer como o
câncer do colo do útero, vulva, pênis e orofaringe (garganta). Por isso, a
importância de praticar sexo seguro e sempre com o uso da camisinha - até mesmo
para o sexo oral.
4. Proteja-se contra a hepatite
O sexo seguro também evita os vírus da hepatite B
(para a qual há vacina) e da hepatite C, ambos com potencial para levar ao
câncer de fígado. O uso da camisinha, além de reduzir as chances de cânceres no
sistema reprodutor e orofaringe, também pode proteger seu fígado. Isso porque,
explica Gilberto de Castro Jr., a hepatite B também é sexualmente
transmissível. "Esse tipo de hepatite pode levar à cirrose e evoluir para
um câncer do fígado", conta. No caso da hepatite C, o contágio costuma
acontecer por contato sanguíneo, mas ela é igualmente um fator de risco a esse
tipo de câncer.
5. Evite o consumo excessivo de açúcares, de gorduras, de carne vermelha, de porco e das processadas. Invista em uma dieta saudável, rica em verduras, legumes e frutas.
O açúcar, explica o nutrólogo Roberto Navarro, não tem relação direta com os
diversos tipos de câncer. No entanto, quando é consumido em excesso, faz o
organismo liberar muita insulina para metaboliza-lo. "A insulina muito
alta aumenta a produção de uma substância chamada citocina pró-inflamatória.
Aqui, está a relação com o câncer. Quanto maior a quantidade dessa substância,
maiores as chances de câncer."
Já a carne vermelha, embora traga uma série de benefícios à saúde, não deve ser
consumida com abusos. Segundo o nutrólogo, ainda não se sabe certamente quais
elementos das carnes vermelhas (de boi e de porco) são cancerígenas. Porém
supõe-se que se trata de uma substância chamada ácido aracdônico, presente na
gordura dessas carnes. Ela seria responsável por estimular a produção das
citocinas pró-inflamatórias.
Em relação às frutas, legumes e verduras, elas são ricas em fibras, o que,
segundo o oncologista Gilberto de Castro Jr., protege o intestino contra o
câncer.
6. Evite o consumo de alimentos ricos em sódio e conservantes
Os alimentos processados - o que incluem enlatados e embutidos como mortadela,
presunto, salame, mortadela, bacon e salsicha -, são ricos em uma substância
chamada nitrosamina, que é cancerígena. Por isso, lembra o nutrólogo Roberto
Navarro, é importante que esse tipo de alimento seja evitado ao máximo, assim
como fast foods que, em geral, são ricos em processados.
Essa correlação já foi estudada pelo National Cancer Institute, nos
Estados Unidos, que descobriu que os conservantes contidos nos embutidos, em
especial o nitrato e o nitrito, são uma das causas do câncer de bexiga. Isso
porque eles passam direto pela urina e podem interferir no tecido da bexiga,
ajudando a desenvolver o câncer neste órgão.
7. Cuidado com o sol. Use filtro solar diariamente e evite a exposição entre 10h e 16h.
Os raios UVA e UVB, emanados pelo sol, são os responsáveis pelas alterações
celulares que levam ao câncer de pele. Por isso proteger-se do sol é algo tão
importante na luta contra o câncer. Além do protetor solar - que, alerta
Gilberto de Castro Jr., deve ter o mínimo de fator 20 -, é preferível tomar sol
apenas antes das 10h e depois das 16h e não abrir mão de barreiras físicas,
como chapéus, guarda-sol, bonés e óculos escuros.
8. Pratique atividades físicas todos os dias. A recomendação é de que o exercício tenha duração mínima de 30 minutos.
A prática de atividades
físicas promove um bem geral ao organismo e também protege contra o
câncer. Roberto Navarro conta que isso se deve graças à capacidade, em especial
de exercícios aeróbicos, de diminuir a circulação das citocinas
pró-inflamatórias em nosso organismo.
Alguns estudos preveem esse benefício. Um deles, publicado no Journal of
the National Cancer Institute, diz que adolescentes que praticam exercícios
físicos estão mais distantes do câncer de mama. Neste caso, isso acontece
porque os exercícios são capazes de reduzir os níveis de estrogênio, hormônio
que tem sido relacionado ao risco de câncer.
9. Mantenha-se atento à sua saúde Procure assistência especializada caso note qualquer anormalidade em seu corpo.
Sabemos que o nosso corpo dá sinais quando algo não está certo. Isso também
vale para casos de câncer. É importante que se preste atenção no corpo, pois só
assim é possível notar a presença de algum caroço estranho, uma íngua, mancha
na pele ou outro sinal. O oncologista do ICESP aconselha que, ao sinal de algo
fora do usual, um médico seja procurado.
10. Faça um check-up anual
É importante realizar todos os exames de diagnóstico precoce indicados pelo seu
médico.
Existe uma série de exames que são fundamentais na hora de detectar os diversos tipos de cânceres. Entre eles, Gilberto de Castro Jr. lembra da mamografia, que deve ser feita a partir dos 50 anos para detectar o câncer de mama ou a coleta do PSA - exame de sangue que pode detectar câncer de próstata.
Fonte: http://www.minhavida.com.br
Atuação do profissional de Educação Física e sua atual visão de mercado
Muito me preocupa hoje em dia a árdua tarefa de encontrar pessoas excelentes para ocupar as vagas na academia que trabalho. Desde o início de minha atuação como gestor de academias tem sido assim.
Claro que as péssimas condições de educação desde a base influenciam e muito neste resultado. Assim como a visão ainda muito tecnicista das faculdades e universidades, que formam o profissional sem visão sistêmica, aquele profissional que pensa somente e apenas no hoje e de forma individualista.
É difícil encontrar bons profissionais que entendam que sua atuação faz a diferença no todo da empresa. Que tenham conhecimento e vontade de se atualizar no que há de mais recente, como por exemplo: Crossfit, Treinamento Funcional, Pilates, além dos bons e básicos conhecimentos de Fisiologia do Exercício, Biomecânica, Cinesiologia, Periodização…
Vejo uma infinidade de “até então estagiários que se formaram Personal Trainers” sem terem lapidado ainda seu conhecimento e vivência técnica e prática.
Profissionais que solicitam salários altíssimos, porém, entregando o mesmo resultado que qualquer profissional “recém chegado”. Veja que meu problema não está em o profissional de Educação Física e áreas afins ganharem muito dinheiro, afinal, como professor de Educação Física, eu também busco poder ter em contrapartida ao meu trabalho, uma remuneração melhor.
O problema é não conhecer o mercado, não se esforçar para fazer cursos de aperfeiçoamento durante e, principalmente após a formação superior. Já diz o velho ditado: “Quem sabe mais, vale mais”, desde que aplique este conhecimento na prática, a favor do crescimento da empresa.
Espero que a partir de algum momento, os profissionais de Educação Física estejam mais conscientes de sua atuação na saúde e qualidade de vida das pessoas, de maneira ampla, se especializem, gostem de trabalhar com pessoas, que possuam “aquele brilho” e paixão e, por si só, criem oportunidades de ganharem cada vez mais.
Oportunidades não faltam caros amigos. Ampliar a visão é necessário. Assim, não precisaremos nos preocupar com profissionais de outras áreas que buscam “sistematizar” nossa atuação.
Claro que as péssimas condições de educação desde a base influenciam e muito neste resultado. Assim como a visão ainda muito tecnicista das faculdades e universidades, que formam o profissional sem visão sistêmica, aquele profissional que pensa somente e apenas no hoje e de forma individualista.
É difícil encontrar bons profissionais que entendam que sua atuação faz a diferença no todo da empresa. Que tenham conhecimento e vontade de se atualizar no que há de mais recente, como por exemplo: Crossfit, Treinamento Funcional, Pilates, além dos bons e básicos conhecimentos de Fisiologia do Exercício, Biomecânica, Cinesiologia, Periodização…
Vejo uma infinidade de “até então estagiários que se formaram Personal Trainers” sem terem lapidado ainda seu conhecimento e vivência técnica e prática.
Profissionais que solicitam salários altíssimos, porém, entregando o mesmo resultado que qualquer profissional “recém chegado”. Veja que meu problema não está em o profissional de Educação Física e áreas afins ganharem muito dinheiro, afinal, como professor de Educação Física, eu também busco poder ter em contrapartida ao meu trabalho, uma remuneração melhor.
O problema é não conhecer o mercado, não se esforçar para fazer cursos de aperfeiçoamento durante e, principalmente após a formação superior. Já diz o velho ditado: “Quem sabe mais, vale mais”, desde que aplique este conhecimento na prática, a favor do crescimento da empresa.
Espero que a partir de algum momento, os profissionais de Educação Física estejam mais conscientes de sua atuação na saúde e qualidade de vida das pessoas, de maneira ampla, se especializem, gostem de trabalhar com pessoas, que possuam “aquele brilho” e paixão e, por si só, criem oportunidades de ganharem cada vez mais.
Oportunidades não faltam caros amigos. Ampliar a visão é necessário. Assim, não precisaremos nos preocupar com profissionais de outras áreas que buscam “sistematizar” nossa atuação.
Ale Gonzaga é Professor de Educação Física com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e Pós Graduação em Administração e Marketing Esportivo. Gestor na área de Academias, PNL Practitioner, Coach e Analista de Perfis Comportamentais DISC.
Fonte; www.gestaofitness.com.br
Limiar anaeróbico: entenda como atletas alcançam média de 20km/h
Especialista explica as diferenças de desempenho em corridas de longa duração entre os indivíduos que estão em outros níveis de aptidão física
Por Turibio Barros
Os corredores e praticantes de exercícios sabem que existe um limite crítico de intensidade para que a atividade possa ser mantida com boa tolerância e por longa duração. Este limite de intensidade foi definido pela ciência no início da década de 70 como limiar anaeróbico. Seu entendimento explica as diferenças de desempenho em corridas de longa duração entre indivíduos de diferentes níveis de aptidão física. Como explicar, fisiologicamente, que atletas de elite consigam correr em velocidades médias de 20 km/h, praticamente o dobro da velocidade média de corrida de grande parte dos corredores amadores?
| Elite masculina na São Silvestre: limiar anaeróbico explica o ritmo veloz dos atletas (Foto: Ag. Estado) |
A explicação depende do entendimento do mecanismo de remoção do ácido láctico produzido durante o exercício. Quanto melhor a aptidão física, mais eficiente é a remoção do ácido láctico produzido durante o exercício. Esta melhor eficiência decorre tanto da melhor oxigenação dos músculos por um sistema cardiovascular mais competente, quanto por efeito do treinamento em metabolizar o ácido láctico mais rapidamente no fígado e nos próprios músculos.
A boa tolerância e, consequentemente, a capacidade de manter um certo nível de intensidade passa a ser prejudicada quando o ácido láctico começa a se acumular. A partir deste limite, a respiração começa a acelerar, inclusive prejudicando a fala, a frequência cardíaca aumenta e não mais se estabiliza, a eficiência mecânica da corrida é prejudicada e a fadiga é iminente.
Este limite crítico é o limiar anaeróbico. Ele pode ser expresso por uma velocidade de corrida, por uma frequência cardíaca que geralmente se situa entre 60 e 75 % da frequência cardíaca máxima ou até mesmo pela percepção subjetiva de esforço do indivíduo. Costuma-se dizer que o limiar anaeróbico corresponde à intensidade de corrida para a qual se atribuiria uma nota em torno de 7 numa escala de 0 a 10, relativa à percepção de esforço.
O limiar anaeróbico tem influência da herança genética e pode ser melhorado sensivelmente pelo próprio treinamento de corrida. Sua determinação mais precisa é obtida pelo teste de ergoespirometria, no qual o indivíduo corre em uma esteira e sua respiração, consumo de oxigênio e frequência cardíaca são mensurados por um sistema computadorizado.
Treinar no limite de intensidade do limiar, evitando o acúmulo de ácido láctico é considerado o ritmo mais adequado para a melhora da aptidão física aeróbica.
*Turíbio Barros é Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM, foi membro do American College of Sports Medicine, Profº e Coord. do curso de Especialização em Medicina Esportiva da UNIFESP e Fisiologista do São Paulo F.C. e Coord. do Depto. de Fisiologia do E.C. Pinheiros. www.drturibio.com
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